Inspirada pelo Brasil e pela Clarice Lispector...

 

Fiquei com um fogo ardendo  dentro de mim para contar a minha segunda vida ao Sul da Américas. Esta poderia se chamar : De Brasil e de brasas.

A minha trajetória do Quebec ao Brasil aconteceu graças a Clarice Lispector, escritora imensa, romancista e contista brasileira de origem judaica, cujos textos tem sido traduzidos em mais de dez línguas.

A Clarice, paguei o meu tributo pela fulgurância que a sua escrita provocou em mim : publiquei dois livros sobre essa descoberta maior da literatura mundial do seculo vinte, RENCONTRES BRÉSILIENNES (1987), composto de entrevistas e documentos diversos, fotografias e manuscritos e LANGUES DE FEU (1990), ensaio.

Homenagei o Brasil por ter sido uma inesgotável fonte de inspiraçao, com dois romances, PROFESSION : INDIEN (1996) e CLAIR-OBSCUR À RIO (1998).

Línguas de Fogo, Ed. limiar, São Paulo, 2002, 190 p.(Resumo)

Um estudo profundo e apaixonado sobre a vida e obra de Clarice Lispector. Como muitos brasileiros, Claire se apaixonou pela obra da escritora brasileira; aprendeu português para poder ler os textos de Clarice na língua original e esteve no Brasil diversas vezes apreendendo esse estranho país dos trópicos.

O livro, resultado de uma tese nada academicista de doutorado para a Universidade de Montreal, analisa a obra de Clarice Lispector em sintonia com sua vida, sua formação em uma família judia e como esposa de embaixador.

Um livro indispensável para quem já conhece a obra de Clarice ou para aqueles que desejam se aventurar pelo mundo particular da maior escritora brasileira. Um livro para os apaixonados pela boa literatura.Fonte : Editora Limiar, São Paulo.

                         (Trecho)

Em 9 de janeiro de 1983, eu desembarcava no Rio de Janeiro, sustentada pelo amor a seus textos, descobertos graças à tradução bendita por mim, apesar de seus avatares. Parti ao seu encontro a despeito de sua morte física ocorrida em 9 de dezembro de 1977. Ao ler A Paixão Segundo GH, em 1979, eu a havia encontrado. Essa paixão: uma perigosa chama que iria, eu saberia mais tarde, me fortificar.

Fiz a qualquer hora do dia tradução simultânea a fim de sobreviver em terra desconhecida. Correndo o perigo da esquizofrenia à beira dos  mundos, entre a América do Sul e a América do Norte, sobrevivi. Oscilando entre a perda, provocada por ter deixado de lado um eu inicial, e a aquisição de uma nova individualidade, esse ser nascendo em uma outra língua, embalado por um ritmo diferente. Recém-nascido em crescimento no calor do verão do Rio, 40 graus na sombra. Eu estava na origem e lia na luz a obra de Clarice Lispector (sete romances, mais de setenta contos e textos curtos, dois livros de prosa, quatro histórias para crianças).

(Algumas comentários)

A autora, canadense, é, apesar da distância, uma das mais sensíveis leitoras de Clarice Lispector. Ela faz o que chama de « leitura telepática », misturando-se com Clarice. E desse modo escreveu um livro imperdível

José Castello, escritor e crítico literário, Veja, 25/06/ 2003

 

Escritora canadense revela os mistérios da obra de Clarice Lispector.

Ubiratan Brasil, O Estado de São Paulo, 09/03/ 2002

 

Claire Varin é, como Clarice Lispector, uma mulher de sensibilidade especial. Seus dois livros, construídos na forma de mosaicos e decorados por magnífico acervo fotográfico, têm de fato uma luminosidade extrema, atributo não muito comum nos ensaios oriundos do meio acadêmico.

José Castello, O Estado de São Paulo, 08/03/ 1996

 

A identificação entre Clarice e Claire se fez íntima, perfeita. O sútil registro da sensibilidade de Clarice, nervo exposto ao mundo, não escapa à sensitiva antena de Claire. [...]

Como Clarice, Claire tem o dom das línguas.[...]

Iluminada, Claire confraternizou-se com Clarice e tocou o cerne de sua originalidade.[...]

Uma e outra, nas suas línguas de fogo, pregam a busca da verdade.[...]

Se tudo é mágico, é preciso ver por fora e por dentro. Ver o de fora no permanente transe de quem não renuncia ao que não é aparente, ao invisível. Os textos de Clarice estão carregados dessa energia que é o sinal de sua peculiaridade. A força de sua originalidade, que Claire captou e, como Clarice, dela faz uma doação.

Otto Lara Resende, prefácio de Línguas de Fogo

 

Dir-se-ia que Claire Varin conviveu com Clarice e dela ouviu confidências e revelações, pois a segurança com que se move nos labirintos tem alguma coisa de íntimo. Embora encaminhe a conclusões que poderão provocar réplica e polêmica, a tese de Claire Varin é desde já ponto-de-referência obrigatório em todo estudo sério sobre nossa romancista. E muitos desses trabalhos futuros deverão partir de suas páginas.

José Geraldo Nogueira Moutinho, escritor, 

 Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 01/04/1987.

 

clavarin@colba.net

Accueil Quelques critiques